Sempre fui uma pessoa esquecida e sempre me achei pouco habilidoso em algumas coisas: não conseguia pensar em idéias inovadoras e totalmente originais em um instante, não conseguia manter uma linha de raciocínio muito complexa por muito tempo ou até pensar na “melhor” forma de resolver alguma coisa/ajudar alguém. E durante muito tempo eu via isso como um defeito, uma limitação, quando me comparava com outras pessoas ou profissionais da área (a comparação é algo que acaba vindo).

Ainda bem que eventualmente comecei a entender uma coisa muito importante: eu não precisava ser excelente em tudo. O que eu realmente precisava era ser honesto comigo mesmo e entender a realidade e o contexto em que eu estava/estou inserido assim como as habilidades demandadas. Internalizar essa ideia me permitiu enxergar com mais clareza e maturidade meus pontos fracos e as áreas em que eu precisaria de apoio.

Pra começar a exercitar essa mentalidade no mundo real eu fiz um teste: passei a anotar em blocos post-its físicos alguns “TODOs”: revisar documentação X, implementar camada Y na api Z, pesquisar sobre tecnologia W. Com isso consegui visualizar a quantidade de informações que eu precisava administrar .

E essa prática surtiu tanto efeito que eu decidi estendê-la para minha rotina de trabalho e foi o que desencadeou um mindset “pró-ferramenta”. Ou seja, o que começou com alguns post-its colados na mesa, na geladeira ou na porta evoluiu para um um conjunto de ferramentas e mecanismos físicos e digitais que agem como uma extensão da minha mente. Percebi que, se eu não preciso gastar energia tentando lembrar das coisas, sobra muito mais energia para executar as coisas.

Esse reconhecimento não tem nada a ver com autossabotagem ou conformismo. Pelo contrário: ele cria um ponto de partida concreto. Sabendo onde estão os meus pontos frágeis e como eles me impactam, consigo me preparar melhor, reduzir riscos, antecipar problemas. Em vez de ser surpreendido por falhas recorrentes, passei a desenhar processos que já levam essas fragilidades em conta.

Hoje, quando um desafio exige visão mais macro ou mapeamento estratégico, o Excalidraw e o drawDB trazem valor tirando a arquitetura da minha cabeça e materializando ela na tela, por exemplo, enquanto o Obsidian centraliza meu histórico de aprendizado e o Postman organiza o fluxo de testes e integração das minhas APIs.

Sabe o que eu tiro dessas experiências? O entendimento de que, em algumas pessoas, a maturidade profissional passa muito mais por autoconhecimento do que por genialidade ou talento natural. Reconhecer fraquezas é o que nos permite construir sistemas mais sólidos, trabalhar melhor em equipe e evoluir de forma consistente, sem depender de esforço excessivo ou de expectativas irreais sobre nós mesmos.

Abaixo eu listo algumas ferramentas que eu gosto de utilizar no dia a dia.

  • Trello: Uso tanto para a gestão visual de projetos de software quanto para gestão visual de planejamentos estratégicos pessoais. Com o sistema de quadros e cartões (Kanban), é ideal para estabelecer e organizar um fluxo de trabalho conforme você preferir;
  • Obsidian: Funciona como um “segundo cérebro”, no sentido em que é muito fácil para eu abrir uma nova nota, escrever qualquer coisa e categorizá-la de forma que faça sentido pra mim. A ferramenta em si não é nada revolucionário. É uma base de conhecimento pessoal onde você armazena notas em Markdown, conectando ideias complexas, documentando aprendizados técnicos e criando uma rede de informações interligadas. Uma dos seus grandes atrativos é a variedade de funcionalidades e recursos que você consegue adicionar através de plugins;
  • Toggl Track: Essa aqui é pra dar aquele choque de realidade. Uso pra cronometrar quanto tempo realmente gasto codando e quanto tempo eu dedico pra bugs ou fixes inesperados. É essencial pra eu conseguir estimar o tempo que eu invisto em cada atividade que eu me proponho a fazer;
  • Google Drive;
  • Postman: Minha ferramenta “requisitadora” favorita, no momento. Não dá pra subir uma rota sem antes testar os payloads e garantir que o JSON tá voltando redondinho. É o lugar onde “debugo” a API antes mesmo de integrar no front;
  • Excalidraw: Quando o código não explica ou demanda muito esforço cognitivo pra entender, eu desenho. Uso pra rascunhar arquitetura de sistemas ou fluxos de usuário. O visual “hand-drawn” é ótimo porque tira aquela pressão de fazer um diagrama perfeito logo de cara.
  • daily.dev: Minha dose de cafeína técnica. É como me mantenho atualizado sem precisar caçar notícia em mil sites diferentes. Ele serve de centralizador de conteúdo técnico que otimizou a forma como você eu me mantenho atualizado agregando, em um único feed, os artigos e discussões mais relevantes de fontes como Dev.to, Medium e blogs de engenharia de grandes empresas. Conseguimos também refinar os resultados através de tags específicas para determinadas stacks, como um filtro inteligente que prioriza o que realmente importa garantindo que eu acompanhe as tendências do mercado de forma organizada e eficiente.

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